sexta-feira, 29 de julho de 2011

Amor vs. Paixão

Na paixão a gente procura rostos e corpos simétricos, para uma vida completamente assimétrica.
Procura calor de chama, mesmo que a brasa dure mais.
Não pensa na quantidade de noites frias ao longo dos anos, pensa só na intensidade da noite mais fria.
Mas o amor não é paixão fervorosa que se vive na intensidade, onde se esfola os lábios e o corpo na mais ardil interação.
O amor é calmo, tranqüilo, contínuo, mas nem sempre constante. E isso é o bastante.

“Amar é Punk!!”


segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mariposa (s) sem asa (s)




Por ser sempre desajeitado, todas as coisas que Edward tentava segurar caíam. Os brinquedos, os amigos, os amores.
Ouvia comentários alheios de que tinha dedos podres.
Mas tinha absoluta certeza de que as coisas eram sim bem escolhidas. Porém lhe parecia que, toda vez que havia conseguido agarrá-las, escorregavam ou eram feridas.
Olhando-as tortas, murchas, feias;
Edward se sentia como mariposas sem as asas.
Mariposas que olham para o ar, sem naquela imensidão poder voar.
Certa vez, numa noite fria observou uma delas de perto, acima da porta de sua casa. Ed viu que estava recolhida, parecia que esperava apenas pela morte.
Triste, e a exemplo dela, ele faz o mesmo. Não saía mais de sua casa, completamente acobertado na cama, passando o tempo em profundas abstinências.
Um dia, após ouvir um barulho do lado de fora, Edward, que estava jogado em seu sofá, abriu os olhos e enxergou por um buraco que havia se aberto entre as cobertas, avistou por uma janela lateral o que parecia ser alguém deixando duas luvas e um bilhete.
Curioso e fazendo grande esforço para levantar-se e deslocar-se até lá, leu o que no bilhete estava escrito: “Este par de luvas são para proteger você, de todas as vezes que as coisas não derem certo e você quiser culpar a si mesmo”.

Querendo alcançar rápido quem havia lhe dado aquilo, já quase correndo em direção à rua, mas percebendo que algo estava para cair ao chão, num reflexo súbito, ele estende a mão e, desta vez, segurando firme e com cuidado, ele impede a queda de algo que sua mão acolhia.
Abrindo-a meticulosamente, ainda sem luva, avistou primeiramente um casulo, e dele saindo uma mariposa que abria lentamente imensas e exuberantes asas, conseguindo completar sua metamorfose ali, pelas suas próprias mãos;
Se pondo a bater as asas e então alçar voo, sai, saudável, imponente e com uma beleza indescritível, como se fosse um reflexo da primeira coisa avistada, ela e ele, Edward, a partir daquele momento.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Prato do dia

-Olá, pois não, senhor?
-Qual a sugestão do dia, por favor?
-Temos hoje coração ao molho pardo ou fígado ao vinho.
-Ahn... E essas porções, são individuais ou dá pra dividir?
-Elas são individuais, mas dá pra dividir sim, se preferir.
-Hmm, acho que é melhor mudar, variar. Me veja então uma porção de honestidade, de decência e uma de cumplicidade também, para acompanhar.
Ah, e coloque mais um prato à mesa por favor, eu vou esperar...

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Carta ao passado

Prezado Passado;


É por meio desta carta que venho me despedir de você. Não julgue mal, não é por medo ou desavença. Mas como bem sabe, não posso mais com sua presença.
Tem alguém agora em minha vida, o Presente. E não dá mais pra você ficar entre a gente.
Eu sei que você não poderia voltar, mas aviso mesmo assim, pra não perder a viagem, pois to indo pra um outro lugar.
Ouço falar muito bem de lá, que é bonito, que tem mais oportunidades que cá.
Futuro é o nome da redondeza, o endereço ainda não tenho certeza.
Quero te dizer que não guardo rancor ou mágoa pelas vezes que me fez sentir mal, mesmo, sem maldade. Sei que você não poderia mudar, mas eu mudei. Estou (me) mudando na verdade.
Também não temos por que perder contato. Não vou esquecer nunca os melhores momentos, ao contrário, sou grato.
A Memória, aquela que simpatiza com você, faz sempre questão de me lembrar.
Mas você já sabia que precisaria me deixar ir um dia, e bem, tá na hora, eu to indo e não posso mais voltar.

Com carinho;





 C.A.G..M.