Era numa cidade média, do interior.
Ouvia-se falar muito, um menino que roubava corações.
Daqueles, de sede insaciável e olhos sempre famintos.
Diziam que fazia por mal, que não cresceu pra ser homem bom. Que não tinha nada de passional, que não tinha esse dom.
Ele, na verdade, se alimentava de corações, dos recheios dos corações.
Mas parecia no fundo vazio, como se o que encontrasse nunca fosse o bastante.
Roubava por que não tinha nada pra dar em troca, roubava por que não era possível comprar.
Tomava para si o que arrancava do peito e não devolvia mais.
Tomava para si o que arrancava do peito e não devolvia mais.
Não é que não quisesse, mas é que quando se dava conta de entregar, já havia consumido tanto que só deixava cascas, lascas, raspas...
Roubava, por que não achava que tivesse outra opção. Roubava por que era visceral, mas não por que era marginal, e nem ladrão.