De repente o mundo parecia ter parado por um momento e tava tudo assim, meio gris.
Sentiu como se estivesse regurgitando pó;
Um gosto amargo veio à boca e ao mesmo tempo uma imensa dor à tona.
Tudo tinha ficado frio, pálido e mudo. Frio, pálido, mudo e depois escuro;
Sentia como se estivesse se desfazendo aos poucos, em cinzas, pedaços, (t) ocos...
Se sentiu destemperado, descompassado, desconjuntado; Descontinuado.
Era como se tivesse deixado de existir por um instante;
De repente, por fim, uma queimação na garganta. E a pele ardia mais do que brasa em chama.
O mundo parecia começar a girar mais uma vez e era como se estivesse pegando fogo. E depois do fogo, todas as cores fossem brotando;
Depois disso, só um calor bom, calor das coisas vivas, um calor e som, dos batimentos que voltaram. Era como se sentisse que tudo novamente pela primeira vez. Era tudo novo, de novo.

