segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Phoenix


De repente o mundo parecia ter parado por um momento e tava tudo assim, meio gris.

Sentiu como se estivesse regurgitando pó;
Um gosto amargo veio à boca e ao mesmo tempo uma imensa dor à tona.

Tudo tinha ficado frio, pálido e mudo. Frio, pálido, mudo e depois escuro;
Sentia como se estivesse se desfazendo aos poucos, em cinzas, pedaços, (t) ocos...

Se sentiu destemperado, descompassado, desconjuntado; Descontinuado.

Era como se tivesse deixado de existir por um instante;

De repente, por fim, uma queimação na garganta. E a pele ardia mais do que brasa em chama.

O mundo parecia começar a girar mais uma vez e era como se estivesse pegando fogo. E depois do fogo, todas as cores fossem brotando;

Depois disso, só um calor bom, calor das coisas vivas, um calor e som, dos batimentos que voltaram. Era como se sentisse que tudo novamente pela primeira vez. Era tudo novo, de novo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Qualquer coisa que não isso


Era sempre ele e sua rede de caçar borboletas;

Ele sempre as admirava de longe, pensando no momento em que poderia as ter consigo;

Eram de belezas inigualáveis, tinham cores e cintilações indescritíveis;

Diziam que a sensação de tê-las no estômago era uma das coisas mais excepcionais da vida;

Por isso ele as engolia vivas. Não, não é que fosse um lunático. Queria mesmo era senti-las no estômago;

Ele, de fato, encontrava essa sensação de maravilha ao ter as borboletas no estômago, mas estranhava que uma dor equivalentemente intensa lhe deixava em prantos logo depois;

Algo estava errado, talvez não estivesse fazendo do jeito certo;

Não importava mais, com o passar do tempo deixou de ir à busca das tais borboletas;

Não, não tinha deixado de admirar sua beleza, nem deixado de desejar senti-las;

Só começou a pensar que talvez fosse melhor não tê-las mais dentro de si.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Estilhaço

Segurou, o mais firme que pôde...

Pressionou, até escorregar entre os dedos.
Caiu, e ao chão se quebrou.
Juntou os cacos, com cuidado, se cortou.
Havia sangue em suas mãos, havia sangue em seus olhos.
Mas um a um e, feito quebra-cabeças, colou.
No final de todas as contas percebeu que, no lugar de um pedaço, muito mais que um espaço, foi um buraco;

Aquilo que ficou.