sábado, 27 de julho de 2013

Em cada um de nós, um "cego"-

Há quem não contemple estrelas, de tanto olhar pra baixo.

Quem viva com o nariz pra cima apontado, tropeçando em qualquer passo.

Conheço gente que faz tudo parecer raso, fugaz, olhando sempre pro lado.

Gente que olha pra frente, sem tempo de olhar pro que é passado.

Olhando pra trás, fico pensando, quando é que devem ter se encontrado... Por aí, por acaso.

domingo, 9 de junho de 2013

A única droga que eu e TODO MUNDO um dia já provou (mesmo sem querer/dever)


Certa vez, há uns cinco anos, um carismático mercante de produtos medicinais, de rosto branco feito papel e olhos esverdeados, ao ouvir lamúrias minhas sobre a vida, me receitou um remédio para ‘toda e qualquer coisa’ que dizia ser mágico, chamava de amor.  A princípio não me cobrou nada, só me dizia para aproveitar enquanto podia. Desconfiado, demorei até aceitar a oferta.
Passados uns dois meses, mantendo distância, mesmo com certo frio na barriga, eu resolvi então provar o produto de que tanto ouvia falar. Tinha gosto de lábios no início, depois parecia mais com um pedaço de paraíso. Não tinha bula, mas alucinógena e viciante era a fórmula. A dose só durava uma semana e teoricamente não apresentava contraindicações ou efeitos colaterais. Até que, um tempo mais tarde, eu percebi a dependência absurda que poderia causar e a dor da abstinência, nos ossos, na carne, no peito, na alma...
Depois de aproximadamente dois anos em desintoxicação, encontrei novamente o tal mercante, mas desta vez eu sabia exatamente o que iria me custar se tomasse aquela droga de novo. Porém, vestindo agora um jaleco pomposo e carregando importantes certificados, pensei eu que a receita dele podia, desta vez, estar reformulada. Passada a semana de duração da dose, os efeitos foram os mesmos.
Lembrei então do símbolo que havia em seu jaleco, não sei agora se era o de Asclépio ou o de Hermes, mas havia nele uma ou duas serpentes, o que agora teria um novo significado pra mim. O preço? Um veneno para o sono, confiança, sorrisos e corações, além de toda a dor. Mas ouvi falar que existem também amores baratos por aí, que ‘toda e qualquer coisa’ serve como moeda de troca.  Então desta vez fui bem mais preparado e confiante para a desintoxicação, já faz mais de dois anos...