Era numa cidade média, do interior.
Ouvia-se falar muito, um menino que roubava corações.
Daqueles, de sede insaciável e olhos sempre famintos.
Diziam que fazia por mal, que não cresceu pra ser homem bom. Que não tinha nada de passional, que não tinha esse dom.
Ele, na verdade, se alimentava de corações, dos recheios dos corações.
Mas parecia no fundo vazio, como se o que encontrasse nunca fosse o bastante.
Roubava por que não tinha nada pra dar em troca, roubava por que não era possível comprar.
Tomava para si o que arrancava do peito e não devolvia mais.
Tomava para si o que arrancava do peito e não devolvia mais.
Não é que não quisesse, mas é que quando se dava conta de entregar, já havia consumido tanto que só deixava cascas, lascas, raspas...
Roubava, por que não achava que tivesse outra opção. Roubava por que era visceral, mas não por que era marginal, e nem ladrão.
"Arrancava de outrem.."
ResponderExcluirPalavra forte, mas necessária e devidamente empregada.
Muito bom teu texto CA...
ResponderExcluirSério, tô realmente sem palavras.
Não sei se um roubo acidental, mas recorrente, é mais perdoável... algumas pessoas causam mais dano sem querer do que se quisessem...
ResponderExcluirEita! Valeu mesmo os comentários...
ResponderExcluir* Concordo contigo ADO, mas acho que a própria maneira como os danos podem acontecer dependem das intenções contidas, e estas sim, são muitas vezes mais danosas do que os próprios atos.
adoro teus textos, amigo.. e imagino esse menino do interior.. ;)
ResponderExcluiracontece
ResponderExcluirBah! Muito bom!!!
ResponderExcluir(uma vez escrevi uma redação com o mesmo título)
(pri)