segunda-feira, 25 de julho de 2011

Mariposa (s) sem asa (s)




Por ser sempre desajeitado, todas as coisas que Edward tentava segurar caíam. Os brinquedos, os amigos, os amores.
Ouvia comentários alheios de que tinha dedos podres.
Mas tinha absoluta certeza de que as coisas eram sim bem escolhidas. Porém lhe parecia que, toda vez que havia conseguido agarrá-las, escorregavam ou eram feridas.
Olhando-as tortas, murchas, feias;
Edward se sentia como mariposas sem as asas.
Mariposas que olham para o ar, sem naquela imensidão poder voar.
Certa vez, numa noite fria observou uma delas de perto, acima da porta de sua casa. Ed viu que estava recolhida, parecia que esperava apenas pela morte.
Triste, e a exemplo dela, ele faz o mesmo. Não saía mais de sua casa, completamente acobertado na cama, passando o tempo em profundas abstinências.
Um dia, após ouvir um barulho do lado de fora, Edward, que estava jogado em seu sofá, abriu os olhos e enxergou por um buraco que havia se aberto entre as cobertas, avistou por uma janela lateral o que parecia ser alguém deixando duas luvas e um bilhete.
Curioso e fazendo grande esforço para levantar-se e deslocar-se até lá, leu o que no bilhete estava escrito: “Este par de luvas são para proteger você, de todas as vezes que as coisas não derem certo e você quiser culpar a si mesmo”.

Querendo alcançar rápido quem havia lhe dado aquilo, já quase correndo em direção à rua, mas percebendo que algo estava para cair ao chão, num reflexo súbito, ele estende a mão e, desta vez, segurando firme e com cuidado, ele impede a queda de algo que sua mão acolhia.
Abrindo-a meticulosamente, ainda sem luva, avistou primeiramente um casulo, e dele saindo uma mariposa que abria lentamente imensas e exuberantes asas, conseguindo completar sua metamorfose ali, pelas suas próprias mãos;
Se pondo a bater as asas e então alçar voo, sai, saudável, imponente e com uma beleza indescritível, como se fosse um reflexo da primeira coisa avistada, ela e ele, Edward, a partir daquele momento.

8 comentários:

  1. ''Esse par de luvas são para proteger você, de todas as vezes que as coisas não derem certo e você culpar a si mesmo''. lindo isso :)

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  2. Minhas luvas não têm dedos, as lâminas continuam à mostra...

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  3. É... As coisas realmente são bem escolhidas... Se a gente não acreditar nisso, a gente não tem nada.
    Belo texto, CA

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  4. Belissimo o texto. Mas devo discordar em um ponto. Não se trata de segurar. Se trata de deixar ir. mariposas são mais bonitas voando.

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  5. Este comentário foi removido pelo autor.

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  6. ''Esse par de luvas são para proteger você, de todas as vezes que as coisas não derem certo e você culpar a si mesmo''.
    Acabamos fazendo isso,mesmo quando não há razões.

    Ed: visualiza a metemorfose mais linda,a qual sua mão foi portadora. Diferenças,capacidades.

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