Às vezes, tudo que se quer é que, mesmo por um instante, o chão seja de papel, pra não se esborrachar.
Mas que besteira seria essa?!
A gente sempre vai se machucar.
O melhor que podemos fazer é mudar, para nós mesmos cairmos
como um papel, àquele que se abre o máximo possível pra no próximo vento alçar
vôo novamente.
Não adianta dizer para os pés não pisarem na próxima nuvem,
ou querer prever que o mar em que vamos nos jogar vai estar completamente congelado.
Você pode fechar os olhos o quanto quiser e pode dormir o
quanto quiser.
Mas até quem não tem mais a dádiva da visão sabe, quando não
se faz nada para mudar as coisas, elas continuam exatamente no mesmo lugar onde
sempre estiveram.
E a gente não sonha que vive. A gente pode até fingir que não sonha; Só não pode fingir que não vive.
E não dá pra continuar fingindo que não se sonha, vivendo...
Talvez a gente só esteja vivo mesmo por que sonha, muito, e talvez só por isso continua assim, sendo...

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