Pressionou, até escorregar entre os dedos.
Caiu, e ao chão se quebrou.
Juntou os cacos, com cuidado, se cortou.
Havia sangue em suas mãos, havia sangue em seus olhos.
Mas um a um e, feito quebra-cabeças, colou.
No final de todas as contas percebeu que, no lugar de um pedaço, muito mais que um espaço, foi um buraco;
Aquilo que ficou.
Aquilo que ficou.
Sempre tive a impressão (errônea?!) de que só se deve comentar ou falar algo quando se tem certeza de que vale a pena falar, por ser útil para quem vai ler/ouvir... ou para evitar constrangimentos (rechaços!) pessoais...no fim talvez seja só o meu lado egoísta querendo escrever "direitinho"...
ResponderExcluirQuando li esse poema, na velocidade certa que eu precisava ouvir mentalmente, quase soletrando e repedindo cada termo (sentimento!) ali exposto, me vi um pouco nas buscas concretas, reais, e que me acompanharão para o resto da minha vida (espero!). Mas também naquelas buscas sutis, que achamos que não tem importância mas que têm...um abraço, uma palavra, uma repensada na ideia exposta para alguém que machucou na gente quando falamos e viramos as costas para a pessoa com aquela sensação de que o banal...o banal!...pesou.
Na minha "liçãozinha do dia", nem tudo o que se agarra com força e escorrega involuntariamente por nossos dedos (oportunidades) são frutos de coisas que "achamos" serem importantes. Muitas (na maioria!) das vezes, o que se esvai é exatamente aquilo que não achavas ter relevância, peso moral no teu dia-a-dia. Talvez aquilo que mais nos prenda, só notamos a relevância quando percebemos que se esvai.
Esvai... falando nisso...
"No final de todas as contas percebeu que, no lugar de um pedaço, muito mais que um espaço, foi um buraco;".
Engraçado que quando li esse trecho, interpretei primeiramente assim: que os pedaços se referiam ao objeto quebrado, e que o buraco foi a impressão que tu teve ao ver o que de fato representava aquele objeto: "Aquilo que ficou".
Li novamente e percebi que não era a "interpretação autêntica" do poema, se é que isso existe, já que o intérprete (veja só!) é quem lê, muito mais do que aquele que escreve.
De qualquer forma, se serve como registro (desabafo!) talvez, se tenha pressionado, forçado com todos os meios e psiquismos a manutenção da forma perfeita do "objeto" (pessoa?...pessoa idealizada?), o qual, ao se quebrar, assumiu a sua forma frágil, mutável...desmistificando o ideal criado em volta do "objeto". Ele não era resistente, a própria força depositada nele também talvez foi em vão...talvez a própria força projetada no objeto é que levou à sua queda...talvez ele iria cair... talvez um dia ele iria cair, independente de eu ter pressionado-o ou não...
Mas o buraco, o vão desmistificado não representou, na minha filosofia barata de botequim ("achismo"), algo negativo, mas simplesmete a compreensão da real dimensão que o objeto tem/é.
Tua escrita é leve e me fez bem hoje, carlitos.
Linda de viver! :)
Abraço, aperto de mão, 3 beijos pra casar...o que for pra se parabenizar! hahaha
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirmuitos buracos.. até o que retorna, nem sempre preenche todo o rasgo que deixou.. :/ ou, se preenche, sempre deixa à mostra as cicatrizes..
ResponderExcluirUm buraco, há muitas coisas para se preencher um buraco... Mas, quando fica completamente cheio, já não tem mais o que fazer, acaba a função... a menos que surja outro buraco em outro lugar pra se preencher... A vida é uma série de buracos a serem preenchidos, não? O último, é preenchido com terra. Até lá, preenche-se com coisas mais interessantes e belas...
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